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24/03/2015

Tão Devagar



Acorda pra sonhar,/ de noite vadiar/ 
com uma turma legal,/ conheço o pessoal./ 
Quem vai te/ convencer/ a ir pro carnaval?/ 
Recife ou no Rio?/ Será que você viu/ 
que hoje tem sarau/ na praça da matriz?/ 
Palhaço, ator, atriz,/ amigos de Natal.

Tenho pressa pra andar tão devagar,/ 
não ter lugar para chegar/ 
e assim ir ao além do além./ 
Antes que você me pergunte/ 
se eu já paguei as contas do mês/ outra vez...

Acorda pra sonhar,/ se apronte pra partir/ 
antes que a solidão/ venha nos alcançar./ 
Se ela perceber/ o/ seu desparecer,/ 
só pense quando não/ quiser se arrepender.

Tenho pressa pra voar como um condor/ 
do Arpoador ao Ceará/ numa revoada sobre o mar.
Antes que você se perturbe/ 
com as coisas que há por fazer/ quem vai te convencer?

(Eliano)

15/09/2014

Desabafo de uma mulher mal comida







Seu amor puritano
Não te deixa ver a puta
Que há em mim, não me deixa admitir.
Você se nega a me comer,
Com essa história de fazer amor
Quando vamos gozar sem pudor?
Você se nega a me foder
E diz que sou uma dama, que me ama
Que mereço respeito.
E toca tão sem jeito nos meus peitos.


E vai pra rua se orgulhar de mim
Dizer que sou assim
Como uma esposa deve ser.
E eu aqui, presa nesse andor de santa.
Com um amor tão lindo
Que não serve nem pra me fazer gemer.


Pecado é morrer quando ainda se pode respirar.
O amor é um crime passional.
Eu sei! Você é bem melhor com suas amantes,
Minha boceta não é de enfeite.
Dê a elas os diamantes

E a mim, seu pau.


Eliano Silva



07/07/2014

Música para ouvir depois da chuva

Uma dessas canções que a gente faz em um fim de tarde úmido de chuva fraca. A letra curta e a melodia singela cantada em sussurros ao violão, reflete a calmaria do cotidiano que os poetas captam tão sensivelmente e a transformam em arte. Poeta é um tipo de alquimista que converte monotonia em poesia; meninos se banham nos pingos de chuva; senhoras espreitam das janelas; funcionários trabalham ainda; alguns, sentados na sala, assistem TV. Eu? Dedilho violões. 

 Antes que eu não possa mais cantar vou cantar
até não puder mais. 

Eu insisto em ser poeta, meu bem.
Quero escrever mais mil cadernos. 

Berrar como se deve, 
largar o que não me serve, 
morrer só se for de amores. 

O vento empurra a janela 
e a retina se adapta. 
A brisa acalma, meu bem 
a alma, acalma. 

(Eliano Silva)

04/07/2014




Não vê quando calo
disparo olhares
reparo lugares 
velejo nos mares
nos bares desejo
mais álcool e limão?
Não vê que perdido
fitando vazios 
a boca silencio
pensando confusão?
Não vê que não digo
porque é pecado
eu sou um perigo
posso querer que
venha pecar comigo?


(Eliano Silva)







Calmamente
a monotonia mata a gente.
Calma, mente!

(Eliano Silva)




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